
Maria Augusta Libânio
Quero, hoje, pedir licença ao mundo para chorar.
Quero encontrar aquela lágrima que se petrificou no fundo de minha alma.
Lágrima que me daria a dimensão da dor e da vida.
Não mais encontro o meu eu, no tanto tempo perdido.
Não o encontro na face escancarada em gargalhadas caricaturais,
dando ao mundo a figura que ostento na covardia da sobrevivência
Quero lágrimas que tenham a coragem de lavar esta máscara,
que me faz tão mentirosa,quando me visto de princesa,
guardando os andrajos no escuro da alma vazia.
Tirem-me a máscara!
Lavem-me do lodo da ilusão.
Venha, em enxurrada, purificar-me.
Despejem a bílis que amargura uma vida,
quando as cores são falsas e as dores são camufladas.
Tirem-me da vitrina de modelos cintilantes.
Deixem-me vestir meus trajes rotos
de tanto se arrastarem pelos caminhos
O caminho perdido no inventar uma rota de crenças infundadas
Não me olhem com olhos de louros metalizados,
como jóia azinhavrada em velhos baús,
onde falsas jóias empoeiram-se por séculos.
Mundo onde patino em passos lentos,
devolva-me as minhas lágrimas.
Não as esconda de mim.
São as únicas que me restam.
21/11/07
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